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Lacunas - Poema foto-dilacerante de ALimaS

Ilustração de ALimaS



LACUNAS

Poema foto-dilacerante de ALimaS


o verso difuso do poeta
perpetua-se em giz
pauta o infortúnio
dilacera a razão
promove o delírio
e morre

a lágrima insopitável da musa
eleva o sentimento
poda cicatrizes
cristaliza neurose
subverte o riso
e vive

a intrepidez do poeta
é desesperança
dos lírios e malmequeres
petúnias e dálias
todos os brotos por ventura recorrentes
e flui

o efluxo delituoso da ninfa
corrompe a reflexão
o silêncio
a inquietude
qualquer gesto de benevolência
e vinga

o lirismo magno do poeta
fragmenta melancolia
embevece a rima
dimensiona a própria áurea
depois se espedaça
como vidro

madrugada
ela desliza o lençol sob minha insensatez
beija-me a paz
e se recolhe a outro dormitório
faz antes um gesto de despedida
como se fugisse para o céu
sentisse que o nosso reencontro só se dará
muito tempo depois
já à mesa
para o café

fique - rogo-lhe
não temamos a noite interminável
terá de volta o meu riso - prometo
mesmo sem a contrapartida do seu
até pela desnecessidade das formulações gentis
colóquios sentimentais
referências outras já insignificantes
para... nós
importante apenas que fique...


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Literatura Brasileira Contemporânea. Poesia e Contos.

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