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A NÃO CRÔNICA DA NÃO LITERATURA

Por A.Lima


Crônica é literária menor, descartável. Com ressalvas ao texto de conteúdo histórico inquestionável, a exemplo do que fizeram os escritores-viajantes da antiguidade nas suas apreciações sobre os eventos mais significativos, ou de alguns grandes autores que, em algum momento, exercitaram o gênero sem qualquer prejuízo a suas obras propriamente ditas.

Faço alusão, claro, a essa patomima midiática dos decadentes de agora, todos donos de estratégicas colunas nos jornalões falidos, TV e internet.

A bem dizer, crônica nem deveria agregar-se à literatura do modo como propõe a crítica de resultados, sob aplauso desses embromeiros que teimam em orná-la com imagens miraculosas e outros penduricalhos, na vã tentativa de que se transformem em obra consumível.

Tais artifícios, aliás, além de não promoverem o texto, conforme muitos tolos imaginam, ainda o transformam naquela coisa híbrida, indolor: nem conto nem crônica.

Isso, evidentemente, também sem desmerecer um Oto Lara Rezende ou Rubem Braga, que por sinal se constitui o melhor exemplo dessa hibridez a que me referi, dado que confeccionava textos interessantes, porém sem demarcar onde ocorreria em cada um a ruptura entre realidade e ficção e que interesse aquilo poderia despertar nas gerações futuras.

Ou seja: RB fez a chamada escrita descartável, com estilo, ainda que tivesse sido ele um eficaz correspondente de guerra e observador atento da vida carioca, mas o oposto do próprio Oto - dono de refinada ironia - e mais distante de João do Rio, que se tornou a melhor referência do seu tempo entremeando boa literatura a um texto de pura curtição, provavelmente pouco preocupado em fazer registro histórico com aquele rico material que viria a formatar uma obra bastante relevante.

Obs. Isto que o amigo acaba de ler não é crônica, muito menos literatura. Apenas um texto internético. Grato pela atenção.

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Literatura Brasileira Contemporânea e Música Universal. Poesia e Contos.

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