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T S ELIOT E AS EMANAÇÕES DELITUOSAS DE CHARLES BAUDELAIRE

Por Astolfo Lima


O casamento de T. S. Eliot e Vívien estava rachado desde 1922, porém os dois ainda se digeriam sob a mesma plataforma até o início da década de trinta. 

Ela, com fortes sinais de instabilidade mental, que se acentuara muito ao vir a público sua infidelidade ao marido, com Bertrand Russell. Eliot, insensível às coisas supostamente vãs, e uma crueldade que por vezes atingia pessoas mais próximas, como a desfeita a Ezra Pound, logo após o amigo adverti-lo de que "mutilar" as 92 linhas de "Death by Water", transformando-as em mísera estrofe, não fora ideia das melhores. 

Indignado com a intromissão do ex-amigo, Eliot simplesmente vociferou que o discurso de Pound apenas o incentivara a fazer as coisas do seu próprio jeito. 

O poeta Eliot, a esse tempo, como todo astro de maior envergadura, transitava entre seus pesadelos mais íntimos e a quase obsessão de agrupar em uma mesma arquitetura os emanações delituosas de Baudelaire, os slides etéreo-emblemáticos de Dante e a tragicidade burlesca de Shakespeare, levando inclusive a que um amalucado crítico londrino cogitasse de que os versos magistrais de Eliot eram não mais que reflexo poético do romance Ulysses, de James Joyce. Ou seja: não bastassem as investidas da esposa desvairada, o Sr. Thomas Stearns Eliot ainda se via obrigado a ouvir disparates desse tipo.

Vem daí que o poeta aceitaria, de imediato, o convite que os doutores de Harvard lhe fizeram para um ano de conferência nos States. Isso por volta de 1932, quando Eliot preparava os esboços de "Four Quartets", momento, portanto, mais que propício ao balão aplicado na sua mulher, que só voltaria a revê-lo anos mais tarde, após estampar um anúncio patético na página central do The Times, em que implorava para que T.S. Eliot retornasse imediatamente ao lar que ela não considerava desfeito por nenhuma hipótese, e orientando para que ele  recolhesse as chaves na padaria da esquina. 

Eliot voltou, sim, mas para encontrar Vívien no escritório de um advogado, sem que ao menos de longe a encarasse. 

O troco viria num segundo ato, evidentemente. 

Vívien passou a perseguir o poeta de modo implacável, por todos os lugares, até mesmo no teatro da BBC, onde Eliot, muitas vezes, tentou se esconder por trás de um bigodão infame. 

A infeliz mulher só daria sossego ao poeta quando sua família resolveu recolhê-la a um asilo, onde passaria o resto da vida.

Não há relato de que Eliot tenha celebrado o desenlace. Sabe-se, contudo, que logo abriria espaço à sua jovem e dedicada secretária.

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Literatura Brasileira Contemporânea e Música Universal. Poesia e Contos.

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