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A CAÓTICA RELAÇÃO ENTRE O SUBLIME E A CABALA

Por Astolfo Lima


Órfã no exato instante em que começa a modular frases cujo sujeito primordial atende pelo nome de mãe, e única sobrevivente de quatro irmãos, Cecília Benevides de Carvalho Meireles teve que percorrer todo um ciclorama de luzes difusas até que detivesse a noção do efêmero, da transitoriedade de tudo neste mundo.

Foi como fundiu seu caráter e obstinação. 

Guardando para si mesma, entrelaçados como fios de uma tapeçaria persa, todos os segredos e buscas nas disposições afetivas e sentimentais.

 Menina, a conviver entre o silêncio e a fantasmagoria; adolescente, amparando-se em versos de maior alcance emotivo; adulta, fixando olhares no hermetismo poético de vates pouco angelicais, a exemplo de Fernando Pessoa, com quem travaria longo e fervoroso diálogo através de páginas esparsas e espectrais.

A mesma Cecília que logrou transitar à margem de todos os movimentos de ordem literária. Diluindo-se em muitas quando era uma só, na vã tentativa de desvendar seu próprio eu, assim como fez o difuso e não menos perplexo Fernando Pessoa – amplamente amargurado pela dor de ser lúcido, ante a oposição sonho/realidade e a incapacidade de amar. 

Apenas por isso Pessoa não compareceu ao encontro marcado com Cecília em um café lisboeta. Não era seu, portanto, o autógrafo inserido no livro pífio que a poetisa encontraria na portaria do hotel, mais tarde.

Tão-somente devaneios de crianças.

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Literatura Brasileira Contemporânea e Música Universal. Poesia e Contos.

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