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Ladrões de Literatura Atacam Novamente


Ilustração do autor


A grande farra em cima do livro-brinquedo



Por ALimaS



Em uma sociedade refém da mídia e condenada ao consumismo ilógico, a indústria do logro só prospera, sobretudo a que envolve o universo da obra impressa de domínio público e isenta de impostos, em que editores mequetrefes mutilam capítulos inteiros de um livro para ajustá-lo a interesses de ordem meramente mercantilista, num total desrespeito ao artista. 

Verdadeiros ladrões de literatura, com habeas corpus previamente fornecido pelo Estado, a transformarem rapidamente um clássico universal de 500 páginas em simples brochura de 70 para ser vendida a 30 dólares ou mais como paradidático a ser adotado pelas maiores redes de ensino mercantilizada. É mole?

Não bastasse tal afronta, esses larápios insaciáveis vislumbraram agora um novo e promissor mercado, constituído pelos tolos essenciais que se habituaram ao texto fantasmagórico, esotérico ou similar. 

A trama, planejada com requintada astúcia pelos PHDs em Economia e Marketing, sob orientação - claro - desses barões do mercado editorial de grandes resultados, consiste em preservar no livro o mesmo número de páginas, título e nome do autor, em que o trolha do serviço mais sujo se encarregaria de destruir apenas o sentido artístico-literário da obra, decapitando aquele personagem com maior conteúdo psicológico ou estético e inserindo em seu lugar uma figura infame qualquer, igualmente furtada de alguma mitologia aloprada ou mesmo plagiada de um best-seller norte-americano. 

Um sórdido processo em que, de uma só cacetada, eliminam três bocós: aumentam o lucro, passam a idiotizar a juventude em escala cada vez maior, e ainda permanecem isentos de impostos e ou de pagarem direitos autorais. Sacaram?

Ora, pela ótica do sacripanta editorial, Capitu - de Machado, ou Senhora, de José de Alencar, por exemplo, seriam um tanto complexas e sentimentais para entendimento do vulgo. Assim, por que não lhes subtrair tão somente a fama, toda a polêmica academicista e inútil que se criou em torno de ambas, e lhes impor um caráter facilmente assimilável por essa imensa legião de big brothers, ávida pelo inusitado ou patético? 

Capitu passaria a ser não mais aquela personagem com forte conteúdo humano e psicológico, mas apenas uma prostituta vulgar com poderes sobrenaturais. 

Da mesma forma que Senhora, uma mulher dominadora e não menos envolvente que aquela, receberia identidade andrógena, transformando-se numa espécie de bruxa lesbo-cibernética, a escravizar o macharal indefeso e totalmente deslocado no mundo da purpurina. Na boa, né não?

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