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Mostrando postagens de Abril, 2015

Academia de Rocha Lima e Capistrano de Abreu

Fase de Ouro da Cultura Cearense - Homens e Livros


ALima

A inteligência do cearense é reconhecida e respeitada além-fronteira, em diferentes áreas do conhecimento humano, sobretudo nas ciências jurídicas, nas artes e na filosofia. Da mesma forma como notória é a saga do nosso sertanejo, secularmente refém de desalmados que sempre recolheram dividendos na desgraça alheia. Não quero, porém, tratar de infortúnios. Minha análise refere-se apenas aos movimentos que tiveram curso em Fortaleza a partir da segunda metade do século XIX, assim como falar de livros e escritores que elevaram o nome de nosso Estado, sem esquecer aqueles que foram discriminados pelas castas que povoaram e povoam os grêmios e academias.

Até a criação do Liceu, em 1845, que marca efetivamente o começo da evolução cultural do Ceará, nenhuma de nossas cabeças pensantes havia adquerido ainda qualquer visibilidade literária, fosse na prosa ou na poesia. Os rapazes bem nascidos debandavam todos para Olinda, em busca do can…

Ensaio Mínimo Sobre Belas Artes

Bazar de inutilidades

ALimaS

Literatura é a manifestação mais lúcida e importante dentre todas que alimentam o espírito superior.

Não me refiro, evidentemente, ao gesto comum de ler, escrever e publicar livros sobre os mais variados temas à disposição de qualquer indivíduo com algum entendimento de gramática, considerando que papel A4 e blog da internet comportam tudo. Reflito sobre arte maior, acessível apenas aos que foram selecionados naturalmente, e da qual se nutrem todas as demais formas de expressão artística, desde os primórdios. A reflexão de seres iluminados que traçaram diretrizes para a humanidade, estabeleceram conceitos, intuíram a ciência, a filosofia, o futuro, desnudando, enfim, toda nossa insignificância perante Deus. 
Na pintura o artista criará algo palpável, que provocará reações previsíveis naquele que observa: impacto, pela beleza plástica do objeto; encanto, por sua perfeita distribuição de cores; pasmo, pelo surrealismo da cena, ou simples curiosidade por quere…

Meu Exercício de Estilo

MEU EXERCÍCIO DE ESTILO


Por ALimaS


O surrealista francês Raymond Queneau não tinha muita projeção até lançar, em 1959, o livro Zazie no Metrô, quando passa a ser cultuado como autor genial. E notemos que, bem antes, por volta de 1947, Queneau já havia publicado Exercício de Estilos, um livro interessantíssimo em que descreve uma cena comum, ocorrida num ônibus, de 99 formas diferentes. Em Zazie, uma garota percorre Paris, de táxi, enquanto partilha a experiência de personagens instigantes, como o próprio taxista, uma viúva e um cabeleireiro. Os efeitos mais marcantes dessa obra, contudo, ficam mesmo por conta do lance poético e, ao mesmo tempo, divertido - uma das características do autor. 

O referido livro, para quem não se liga nessa jogada de melhores disso e daquilo outro, consta na relação dos 100 melhores romances do século XX – com justiça, creio – publicada pela Folha de São Paulo. O tema é tão cativante e original, que outros poetas, imediatamente, se puseram a escrever sobre me…