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03/08/10

O Genocídio que as autoridades tentam banir da história

A eterna luta do bem contra o mal

por Astolfo Lima

O beato José Lourenço era desses seres iluminados em que, num milhão, a cada século, nasce apenas um: destemido, justo, trabalhador incansável e desituído de sentimentos podres como a inveja, o ódio ou a ganância. Quisesse, teria sido em seu tempo, talvez, o mais próspero latifundiário do nordeste, dado à sua enorme capacidade criativa e, sobretudo, pela liderança que passaria a exercer na comunidade que o acolheu, comecinho do século 19, no Cariri do Padre Cícero Romão Batista. Em vez disso, preferiu plantar a semente da solidariedade. Dividir com os necessitados. Incutir o respeito mútuo. Pregar os valores morais, a igualdade entre os indivíduos, o verdadeiro sentido do trabalho honesto, o cultivo do bem maior que nos foi legado pela mãe natureza... Em suma, alertar sobre todas aquelas virtudes que um Certo e Iluminado Senhor de Nazaré já pregava há doi mil anos e que, por isso mesmo, seria estupidamente massacrado pelos mandatários de então. Com o Beato José Lourenço, portanto, não poderia ser diferente, vindo a ser ele também apenas mais uma das tantas vítimas na eterna luta do bem contra o mal, depois de só ter inseminado a paz..
  Em1937, o sertão do Ceará foi cenário de um dos mais horripilantes episódios da nossa história, e que, infelizmente, ainda não está devidamente narrado nos compêndios, tampouco houve qualquer punição contra aqueles que o protagonizarama: o genocídio de mil criaturas inocentes e desrmadas, por forças do Exército e da Polícia Militar.
 Conforme verifiquei no site da OAB-CE, o seu  presidente, Dr. Valdetário Andrade Monteiro, informou que a entidade assinará acordo de colaboração com o projeto da SOS DIREITOS HUMANOS referente a procura da cova coletiva com as 1000 vítimas da comunidade do Sítio caldeirão, que foram brutalmente assassinados por forças do Exército e da Polícia do Estado do Ceará, em maio de 1937. Com essa importante parceria, certamente que ficará mais fácil a localização dos restos mortais das vítimas, que, segundo populares e historiadores, estariam em algum lugar na Serra do Cruzeiro, Chapada do Araripe, município de Crato, Ceará.
 Leiam, a seguir, mensagem enviada a este blog pelo Dr. Otoniel Ajala Dourado:

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

O CRIME DE LESA HUMANIDADE

O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

A COMISSÃO DA VERDADE

A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente da entidade Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas divulguem a notícia, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

Paz e Solidariedade,

Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 85 8613.1197
Presidente da SOS DIREITOS HUMANOS
Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
www.sosdireitoshumanos.org.br
sosdireitoshumanos@ig.com.br
http://revistasosdireitoshumanos.blogspot.com
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