O Melô do Tremelique e a Academia Brasileira de Letras
Astolfo Lima
Evidente que ninguém é obrigado a curtir Frank Sinatra ou pelo menos ter sensibilidade para compreender quando uma música tem valor. Tudo bem que o cara absorva pagode, axé music ou ritimo goiano diuturnamente e ainda assista aos shows da Beth Sangalo, sem ter pesadelos. Claro, é o direito de cada um; a sua formação cultural e um gosto bem particular. Também pode aplaudir entusiasticamente o Zeca Pagodinho, dizer que o cara é gênio e até propor o seu ingresso na Academia Brasileira de Letras, já que não temos uma de música. Naturalmente! Paulo Coelho não chegou lá? Sim, sim, lógico que ambos cultivam estilos distintos, porém nenhum que desmereça o outro. Paulo Coelho, aliás, é o único gênio ainda em atividade a representar os caras da geração pão com mariola, muito embora já não componha seus hits (sem ironia) de inquestionável qualidade; os demais cultores do melô-cabeça, como sabemos, estão todos mortos e sepultados com suas respectivas obras, aí incluídos Raul Seixas, Cazuza e Caetano Veloso. O mundo musical agora é apenas dessas bravas duplas sertanejas, desses abnegados pagodeiros cariocas e dos baianos de uma maneira geral. A Bahia é toda música, toda hora, todo dia, a vida toda. Ah, Dorival Caymmi, Gilberto Gil e Maria Betânia que não mais existem... porque aí também seria covardia!
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