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15.10.09

O Professor Que Não Existe Mais


Meu Olhar de Revestrés
Por Astolfo Lima
Sou da geração que imaginava está fazendo as "grandes transformações político-culturais do século XX" e que por isso mesmo se tornaria presa fácil para os que navegavam na contra-mão patrocinando golpes de Estado por todo o Continente latino-americano; ou seja: um cara que cresceu ouvindo Beatles e aprendendo com os verdadeiros mestres do ensino os rudimentos da gramática e da filosofia. Se pouco absorvi, a culpa não foi deles, certamente, que até tentaram de todas as formas fazer desse que vos fala um doutor com canudo e tudo. Preferi seguir - de certo modo induzido pelo desbragado romantismo tão em voga - no rumo que apontava para o absolutamente nada, e terminei expulso da Armada como inimigo da pátria. Tudo bem, são águas passadas, pois o que quero na verdade é apenas prestar uma simples  homenagem aos ilustres Professores que tive a honra de conhecer ao longo do tempo  e que, infelizmente, muitos já se foram sem que tivessem conseguido legar à posteridade a mesma semente do saber de que eram detentores,  e sobretudo o desprendimento com que exerciam  a profissão. Para quem não sabe,  professor das antigas era tratado como Mestre não pelo fato de ter adquirido uma inútil graduação acadêmica, mas porque o era  em toda a extensão do termo. Mestre do Saber, mentalidade superior; homem probo, benfeitor da humanidade, à parte os títulos e as condecorações que por ventura viesse a fazer jus.
Nos dias atuais, com todo o respeito aos poucos abnegados ainda em atividade, senhores e senhoras  que abraçam o magistério por verdadeiro amor ao ofício, o que vemos  (na sua grande maioria) são apenas profissionais como outro quaquer, indivíduos com pouca ou nenhuma competência para o exercício dessa nobre arte, muito embora quase todos se ufanem de seus encorpados currículos. Um ser comum, por vezes vulgar, com atitudes altamente questionáveis, como acontece quando paralisam colégios e universidades, penalizando milhões de jovens aos quais deveriam dar exemplo. Greve, no molde como fazem esses senhores e senhoras que se dizem professor, deveria ser punida com severidade. Não que eu seja contrário a esse eficiente e democrático instrumento dos trabalhadores. Inaceitável, a maneira covarde como dele fazem uso aqueles que, no mínimo, deveriam ter bom senso. Para esses, portanto, apenas o meu olhar de revestrés  nesse dia consagrado a mestres da envergadura moral de um Dr. Tito, Dr. Luís, Dr. Aluízio, Dr. Vasconcelos, Dra. Anita, Dr. Clodoaldo Pinto, Dr. Moreira Campos, Dr. Paulo Bonavides, Dr. Caio Lóssio Botelho, Dr. Martins Filho, Dr. Valdevino, Dr. Clodomir Teófilo Girão, Dr. Padre Misael, Dr. Padre Jessé, Dr. Leonel e tantos mais que ainda farei desfilar em minhas crônicas.

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