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29.10.09

Anistia Para Valer ou Apenas Falácia?

DEFESA DA DEMOCRACIA
Por Astolfo Lima
No auge da “crise” do primeiro mandato do Presidente Lula, quando percebi que a onda de denuncismo na imprensa, sobretudo através de determinada revista e poderosa rede de TV, tinha por objetivo não apenas expor supostas irregularidades na administração pública, exercendo assim o papel que toda sociedade do mundo civilizado espera de seus veículos de comunicação, mas, sim, criar clima favorável para que se efetivasse um Golpe de Estado, logo preparei estratégia de defesa do Presidente, com a única arma que eu tinha disponível: meu verbo, que tentaria difundir pela Internet, vez que eu não era nem sou desses escritores que sempre dispõem de amplos espaços na mídia de papel ou televisiva, embora só profiram abobrinhas.
Passei cinco meses, dia e noite, frenqüentando os grupos de discussões da Folha On line, do YR e muitos outros, rebatendo cada infâmia, cada mentira que se propagavam contra o Presidente Lula, geralmente postadas por jovens totalmente alheios à realidade nacional, garotos que cresceram assistindo a Xuxa, novelonas devassas e os famigerados big brothers. Fiquei a circular a Grande Rede, repetindo de modo sistemático todos os meus posts, maneirando somente ao sentir que a tentativa de golpe fracassara, finalmente. Contudo, retornaria logo em seguida, quando, ao se aproximarem as eleições, os fariseus entraram novamente em cena, não menos furiosos. No total, escrevi muito mais de mil mensagens, que, futuramente, pretendo transformar em livro cujo título será: Crônicas de um Tempo Inútil.
Sem falsa modéstia, afirmo que fui dos primeiros a captar a trama sórdida que estava sendo armada contra nosso Governante e que logo se pôs a denunciar a farsa, expondo em cruas e sinceras palavras o crime terrível que tentavam contra os milhões de brasileiros que haviam feito de Lula da Silva o Presidente da República. Explicando, por vezes em em tom didático, que toda aquela estúpida tentativa de destruir a sigla PT era apenas simbólica, vez que no âmago da trama se imbutia crime maior, que era exatamente matar um sonho, desarticular o ideal democrático-socialista em torno de Lula e nos postar mais uma vez, genuflexos, perante a "ordem político-monetarista-internacional", em constante crise pelo controle do mundo.
Mesmo sem ter (graças a Deus) a minha voz legitimada pela mídia de cabresto, sem dispor de espaços mos jornalões ou programas de TV, transformei esses meus posts em artigos e os fui publicando em sites, blogs, fóruns e os enviando por e-mail aos amigos, fazendo verdadeiro trabalho de formiguinha. Enquanto isso, aqui fora, também passei a denunciar a farsa em qualquer ambente onde houvesse concentração de pessoas: rodinhas na praça pública, à saída de igrejas, na fila de bancos e supermercados. Inúmeras vezes cheguei a simular um diálogo que, na verdade, era apenas um monologo em que eu vociferava contra os fascistas que tentavam derrubar um Presidente legitimamente escolhido pelo povo, dizendo em voz alta que precisávamos reagir ao festival de cinismo, àquele bombardeio ilógico e sistemático desferido por uma questionável revista de circulação nacional e uma não menos discutível rede de TV. Alertando o povão sobre as "entrevistas" direcionadas, o discurso irado de um saltibanco qualquer, a astúcia de uma pseudo autoridade ou as cavilações de um apresentador milionário e gardenálico. Enfim, dei o melhor de mim, me expus, e muitas vezes quase troquei socos com algum desafeto. Tudo por não concordar que maculassem a honra de um cidadão do povo investido no mais relevante cargo da República, nem desferissem um golpe que penalizaria brutalmente toda a nação brasileira.
Em determinado instante, quando os golpistas já chegavam às raias da estupidez total, fazendo chacotas, reunindo em mesas-redondas supostos bem-informados jornalistas com objetivo único de atacarem gratuitamente o Presidente da República, em total desrespeito não apenas à entidade Presidêencia da República, como, sobretudo, àquele que ao cargo estava investido por vontade popular e pelos instrumentos da Democracia, também incrmentei o tom do meu revide: passei a pesquisar na Internet todas as falcatruas daqueles que atacavam, divulgando-as em meus blogs, e mostrando ao mesmo tempo a trajetória vitoriosa do honrado cidadão brasileiro Lula da Silva, o homem que dedicara toda sua vida na luta pela cidadania do seu povo, em prol das conquistas trabalhistas e a redemocratização do nosso país.
Jamais me intimidei diante do coro fantamasgórico daquelas aves de rapina que infestavam os auditórios de TVs, redações de jornais, entidades de classes, estúdios de rádios, numa orquestração nojenta e absurda como nunca se tivera notícia na história de qualquer país civilizado. Encenação que angustiava terrivelmente a nação brasileira mais pobre e desinformada, impotente diante do discurso hipócrita daquela minúscula parcela da socidade, de figurões milionários sem nenhuma representativade popular que não fosse o fato de empunharem microfones, deterem questionáveis fortunas ou se resguardarem em mandatos parlamentares quase sempre usurpados desse mesmo povo sofrido, todos tentando direcionar os destinos do país, cada um mais dissimulado que o outro, querendo apenas resguardar seus interesses pessoais e destruir o sonho de uma nação inteira. E, muito particularmente, o meu próprio sonho, alimentado em lutas mernores, anônimas, porém não menos significativas, vez que intensas durante toda uma quadra de minha juventude. Não poderia, pois, omitir-me diante daquela pantomima, daquele disparate proposto por enganadores contumazes que até bem pouco dilapidavam o patrimônio público, e que, tão de repente, tentavam posar de moralistas, apenas para confundir as pessoas mais simples. Cada um se dizendo sumidade nisso e naquilo, como se fossem verdadeiramente gurdiões da honra nacional.
Em determinado momento do bombardeio, senti-me de tal modo impotente para rebater aquele ataque insano, que cheguei mesmo a verter lágrimas de ódio, já que não me era possível adentrar o picadeiro onde se desenvolvia a cena burlesca, nem me fazer ouvir no Congresso Nacional, tampouco gerar manchetes para os jornais-feudos dessa pátria amada. Senti-me muito mal ao ver certos indivíduos que até bem pouco posavam de socialistas e que, naquele instante, irmanavam-se a velhas raposas, repulsivos coronelões que nada mais haviam feito na vida que não fosse enganar o povo, sangrar os cofres públicos e desviar verbas para os paraisos fiscais. Sofri de uma forma muito difícil de ser aquilatada por quem não conhecesse a minha alma. Amargava a tristeza de sentir que o Mal triunfaria , negando por completo a filosofia mais profunda ou ingênua, sem que eu nada pudesse fazer além de digitar páginas e mais páginas com essas angústias, num discurso áspero para uma plateia imaginária dos sites e fóruns da internet, qual um Dom Quixote virtual.
Desnecessário dizer que em todos esses lugares da net em que postei minha revolta, eu tenha sido chamado de ladrão e outros adjetivos impublicáveis, e acusado de ser apenas um bem remunerado agente do Governo, mero quadrilheiro querendo defender os companheiros de falcatruas. Em muitas ocasiões tive que ser agressivo com os adversários, porém tudo apenas para rebater mensagens não menos corrosivas que vinham do outro lado. Confortante, contudo, era saber que minhas palavras estavam repercutindo mesmo em um ambiente virtual pouco acessível à grande massa, mas repleto de jovens completamente alheios à realidade de quem seriam os verdadeiros vilões da História. Em outros momentos cheguei a lançar mão de vários nicks, postando inúmeras mensagens ao mesmo tempo (como se eu fosse muitos)... Enfim, fiz o melhor que podia no sentido de defender a Democraciao na qual acredito e pela qual sempre lutei e sofri.
Depois que a poeira assentou, que os golpistas bateram em retirada e que o nosso Presidente foi reeleito, comecei então a fazer ligeira reflexão sobre determinados indivíduos sem qualquer projeção na sociedade e que, embora agindo de forma anônima, desprendida, muitas vezes prestam melhor serviço a seus compatriotas que certas figuras que receberam mandatos ou que foram elevadas a relevantes cargos da admnstração pública. Refiro-me, claro, aos muitos cidadãos com os quais discuti nesses fóruns por aí. Pessoas que provavelmente jamais viram o Presidente ao vivo ou tomaram conhecimento de todas suas lutas ao longo da vida. E pensei em mim próprio, evidentemente. Nesse meu eterno e inglório desejo por justiça, essa coisa que me acompanha desde criança. E a conclusão que cheguei foi a seguinte: de todas as pequenas ou grandes causas que por ventura eu tenha abraçado pelo tempo à fora, nenhuma me veio beneficiar de modo particular, se bem que eu nunca tivesse buscado reconhecimentos por feitos tão insignificantes se comparados com aqueles dos que se expuseram mais, sofreram mais e até sucumbiram por um ideal comum. Não! Apenas refleti quão inglória serão as lutas dessas pessoas anônimas, dos chamados bagrinhos, daqueles indivíduos que embora tenham aguda percepção sobre o tempo em que habitam, das coisas e fatos que presenciam e dos quais eventualmente até participam, ainda assim não conseguirão jamais se fazer ouvir nas mínimas questões que os atinjam de forma mais direta, já que não são elas figuras notórias ou legitimadas por uma falsa mídia, ou ainda por não terem amigos influentes nas altas esferas do Poder. Lembrei que na minha primeira juventude, em plena efervescência da ditadura, quando eu servia em navio da Marinha de Guerra, sofri a mais sórdida perseguição política, que culminaria com a minha expulsão da Armada, sem que até a presente data tenha eu recebido a tão sonhada anistia, pedido que dei entrada há exatos oito anos. Um processo que já se arrasta por todo esse tempo na Comissão de Anistia criada pelo Ministério da Justiça de um Governo democrático como sempre defendi, sobretudo agora no mandato do cidadão com quem me solidarizei em todas as horas, desde quando era ele não mais que o simples companheiro Lula das lutas sindicais. Pois é.
Sobre o primeiro julgamento desse meu processo, informaram que o mesmo fora indeferido por eu não ter apresentado pelo menos uma testemunha daquele período. Não fosse por isso. Imediatamente fui em busca de antigos companheiros, o que, com a ajuda de Deus, consegui localizar dois, que prontamente se dispuseram a prestar depoimento a meu favor. Testemunho esse que seria lavrado em cartório, diante do meu advogado e do Presidente da Associação 64/68 (do Ceará), e na presença da autoridade competente. Pois é: já passou de um ano a entrada desse recurso na Comissão de Anistia, e nada. O processo continua parado, sem que eu entenda o motivo. Somente quem já sofreu na própria pele os terrores de uma ditadura pode avaliar o estrago psicológico que um descaso desses ocasiona no indivíduo, ainda mais quando tal ocorre durante um Governo pelo qual tanto lutei.
Para concluir, gostaria que ficasse bem claro que não estou arrogando para mim nenhum privilégio. Desejo apenas que a Lei de Anistia seja cumprida. Acredito que um Governo democrático, exercido por um cidadão de bem, oriundo do povo como é o caso do Lula, que também sofreu os horrores da repressão, não concordará com injustiças. Pelo menos é o que penso...

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