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3.10.09

De Branco - Gil Amora

De Branco
Gil Amora
Toda de branco, como a vi, parece,
Na sua de jasmim celeste alvura,
Dos céus um anjo que, fugaz, viesse
Espairecer na terra, a graça pura...
Como o sidéreo azul, quando anoitece,
De fulgores semeia a alta planura;
Assim, esta alma quando ela aparece
É como astros luzindo em noite escura.
Ó mulher divinal, meiga e formosa!
Que me fazes lembrar a nívea rosa
Que as pétalas desata à luz do dia:
 
Canta em minh'alma como um passarinho!
Tua voz embriaga mais que o vinho.
Deixa que eu morra ao som dessa harmonia! ...
...
José Cil Amora nasceu em Fortaleza, a 18 de fevereiro de 1883, e em Fortaleza faleceu a 13 de abril de 1920.
Fez o curso primário no Colégio Diocesano, mantido pelo então padre Liberato Dionísio da Costa, ingressando, depois, no Liceu Cearense.
Fundou, com Custavo Barroso, o jornal humorístico O Garoto, órgão de vida alegre e efêmera. Dirigiu, com Genuíno de Castro e João Catunda, a Ceará-Revista, cujo 1o número circulou em março de 1911.
Com os irmãos Castro (Genuíno e Luís), Carlos Severo, ]osias Goiana e João Catunda, fez parte da "Academia Rebarbativa", da qual foi vice-presidente.
Manejou, com felicidade, vários gêneros literários: poesia, conto, crônica, fantasia, sendo, ainda, exímio caricaturista.
Publicou em folhetins, no Correio do Ceará POEMAS DE MAIO, belíssimo hino religioso.
CRÍTICA E REFERÊNCIAS
De Mário Linhares, no livro Gente Nova, pp. 103-107; de Torres de MeIo, apud Mário Linhares; de Ramos Neto, no soneto Gil Amora, que termina:
Em meio à troça que a tristeza apaga, Essa tua alma gargalhando esmaga Toda a miséria da existência humana.

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