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As Duas Internets

A Face Cruel de Uma Moeda


Por ALimaS


A Internet, com seus espaços ilimitados e a interligação com todos os povos do planeta e até fora dele, constitui-se o mais democrático universo em termos de mídia, onde qualquer um poderá expressar livremente o seu pensamento, certo? Errado.

Tudo bem: se o cara quiser construir mil sites e desovar oitocentos milhões de textos, nada impedirá que o faça. As ferramentas estarão disponíveis, os portais abertos para recebê-lo; tudo "grátis" etc. e tal. O único problema será o distinto encontrar platéia para suas divagações. Sim, porque os "motores de buscas" da grande rede (estes, sim, os mais sofisticados e poderosos armamentos da era moderna) dificilmente capturam páginas que não sejam de seu interesse. Há todo um minucioso processo para a exposição de páginas nos índices dos grandes portais, uma ciência não acessível ao público, em que os controladores desses estratégicos mecanismos só darão destaque aos sites com milhões de acessos e que gerem, consequentemente, toneladas de dólares. Não importa o conteúdo. Importante apenas que atraiam consumidores, o máximo possível. E o mais irônico da história é que toda essa descomunal audiência que perambula pela grande rede e propicia lucros estratosféricos para eles é atraída por todos nós, incautos consumidores que criamos os textos, as imagens e engrossamos as redes de relacionamentos. A eles, apenas a incumbência de criarem as armas-ferramentas, com as quais arrecadarão toda a grana e gargalharão de nós.

Estamos, pois, diante de duas Internets bem distintas: essa que usa nossa força criativa, nossa arte e que arrecada cifras fabulosas através da farta propaganda colocada nos sites e blogs supostamente gratuitos que nos oferecem, e a outra, a net subterrânea dos artistas sonhadores, dos escritores e poetas que imaginam estarem produzindo para a posteridade. Quanta ilusão. Até as Enciclopédias, as imensas bibliotecas virtuais, os enormes acervos de fotos e vídeos, somos nós que construímos... de graça. Absolutamente de graça.

Já pensaram nisso?

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