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23/10/14

Corruptores acima de qualquer suspeita

Por James Kafka

Se existe corrupto é porque há corruptor, isso é obvio, mas nem todos refletem sobre o assunto.

O comum é dizer: Governo corrupto, político corrupto, funcionário corrupto, ladrão safado. Sim, tudo isso e mais alguma coisa. Mas, e o corruptor? Aquele que suborna? Que distribui propina, corrói os cofres públicos, que enriquece com a desgraça do povo e, geralmente, nunca é punido?

Aliás, o povo muita vez nem sabe quem está por trás de uma grande falcatrua. Onde se esconde o pilantra. O que faz. Sabe apenas da existência do corrupto. O grande corruptor, esse cancro de qualquer sociedade, todo mundo ignora, porque a mídia venal, o pilar central da corrupção em nosso país, concentrará o bombardeio apenas nos agentes do Estado, nos pequenos corruptos oficiais, naqueles que fazem o serviço mais sujo e que são corrompidos com muita grana exatamente para isso. Para receberem todo o bombardeio que desviará o foco dos verdadeiros símbolos da ladroagem neste país.

O grande ladrão, geralmente, desfila como cidadão “acima de qualquer suspeita”, pois é assim que a mídia corrupta o vende para o vulgo. O grande corruptor, no geral, detém prerrogativas espúrias, seja no mundo oficial ou privado, e dificilmente será apanhado com a mão na massa. Dele, tudo se sabe, porém nada se poderá fazer contra sua nefasta pessoa, uma vez que estará sempre escorado numa lei arbitrária e blindado pela referida mídia bandida.

São esses poderosos facínoras, portanto, os piores inimigos da pátria. Os que danificam qualquer governo e obstruem qualquer avanço social, porque corrompem na boa os agentes do Estado, alocados nos Três Poderes da República. Poderes oficiais, escolhidos por você ou por aqueles a quem você autorizou que o fizesse. Sim, porque é você quem escolhe os que governam nosso país, desde o vereador ao presidente da República; menos os juízes do Supremo, claro, que serão legitimados pelo Congresso Nacional, constituindo-se daí, talvez, a maior anomalia desse sistema de governo, uma vez que esse Poder, por deter a palavra final sobre todas as ações dos agentes do Estado, não poderia, a meu ver, concentrar uma força capaz de se sobrepor às demais, inclusive do próprio povo – a razão de ser do Estado democrático.

Ora, o Poder Judiciário julga os outros poderes, condena ou absolve o cidadão, mas não há relatos de que já tenha sido julgado por eventuais crimes que por ventura possa ter cometido em nome do Estado. Um poder, implacável, único, soberano e supostamente infalível, a ponto de o clamor popular dizer que acima dele, só Deus. 

E o exemplo disso temos visto em muitas decisões que chocam o cidadão comum, contribuinte, e em última análise, razão de ser de qualquer sociedade. Decisões inteiramente questionáveis, porém definitivas, uma vez que não dispomos de instrumentos constitucionais adequados para questioná-las, e isso, quero crer, por pura ignorância de nossa parte.

Quando um juiz liberta um criminoso condenado a 200 anos ou prende um cidadão contra o qual não existem provas irrefutáveis, mas ainda assim o faz porque uma pseudo literatura especial, forense ou não, o permite, nada mais justo supormos que estamos bem próximos da barbárie. Ou não?

Também é comum se dizer, no desespero, embora não se possa afirmar, até para preservarmos nossa integridade física e moral, que acima da justiça do nosso massacrado país reinaria tão-somente essa mídia que aí está -- a única no mundo capaz de imbecilizar uma parte bem substancial da sociedade, incitar ódio em quem deveria ser amado, jogar irmão contra irmão, tudo para proteger os verdadeiros símbolos da corrupção no Brasil.

Seria ótimo que refletíssemos sobre isso e ajudássemos a nossa honrada Presidenta Dilma a combater essa lepra. 


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