A decadência de um ex-cantante

A crítica de Caetano Veloso ao Presidente Lula tem o mesmo peso do pum de uma lêndea. Apenas mais uma das muitas atitudes espalhafatosas que vêm pontilhado meio século de uma tumultuada trajetória em busca de holofote, agora com a agravante de já não ser ele aquele garotão que podia se permitir certos equívocos e que irritava os milicos muito mais por essas atitudes espetaculosas do que propriamente pela força musical ou por algum posicionamento político, que, aliás, era nulo; o oposto do genial Chico Buarque. Como cidadão de terceira idade, já esgotado enquanto compositor, precisa ser mais comedido, até para não cair no ridículo total.

14.11.09

O Desrespeito Pela Vida

O Drama Existencial de um Autor Perverso
Astolfo Lima
Já comentei inúmeras vezes que o folhetim televisivo é uma das maiores desgraças nacionais. Depois que se foram Dias Gomes e Janete Clair, acabou-se aquela coisa da história amena, do puro entretenimento - características fundamentais para um programa direcionado ao grande público, que adentra nossa casa sem pedir licença e na hora em que a família está toda reunida na sala.
Também já falei muitas e muitas vezes sobre a liberdade de expressão, a licença poética, o direito que qualquer autor deve ter para expor sua arte, seja no livro de papel, no cinema ou no palco. Tanto é esse o meu pensamento, que posso muito bem deliciar-me com as obscenidades literárias de Joyce, do próprio Marquês de Sade,com os versos nefastos de Baudelaire ou de Augusto dos Anjos, com o pessimismo da Clarice, a angústia do Graciliano e até com a podridão estilística de Nelson Rodrigues. Porque, na literatura, tudo é válido, e aí seria tão somente uma opção minha ou sua, uma coisa bem particular nossa; o sagrado direito que qualquer cidadão deve ter  para escolher suas leituras ou o tipo de lazer a que se deve permitir. Exatamente o contrário do que ocorre no cronograma televisivo com relação à sociedade.
Como entender, por exemplo, que um autor visivelmente amargurado, padecendo por certo de alguma moléstia física (com fortes reflexos no lado psicológico, influindo sobremaneira no aspecto criativo) se ache no direito de levar aos lares brasileiros, em forma de folhetim, todas essas mazelas que lhe inquietam o espírito? Ora, meus amigos, dizer no papel que a mocinha linda, talentosa e cheia de vida, cujo pai infiel  troca sua exemplar genitora por uma jovem modelo, vindo essa filha logo em seguida a sofrer um desastre que a tornará tetraplégica, não é a mesma coisa que mostrar todo o infortúnio através de imagens e ainda o fazendo acompanhar-se de fundo musical extremamente pessimista, ao dizer que o indivíduo mal nasce já começa a morrer. Isso sem contar  os muitos desvios morais e desavenças que fluirão pararelos em todo o desenrolar da sordidez central, como o da moçoila que se consome em inveja, da outra que se mutila em drogas ou do irmão gêmeo que tenta assassinar friamente a sua outra metade.
É, meus amigos, quando o sr. Dias Gomes queria alavancar audiência para a Globo, não precisava se expor ao ridículo nem agredir a família nacional: apenas tirava do surreal, com toda aquela maestria que lhe era peculiar, um personagem que logo faria a alegria do povão, e também do povinho metido a besta . Da mesma forma que a sra. Janete, que nunca precisou se valer de mesquinharias familiares e outras monstrusidades para construir uma bela tramna de amor.
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4.11.09

Bandeira da Mentira

A Grande Farsa
Astolfo Lima
O Governo Lula, pelo qual tanto lutei, juntamente com toda a minha família; meus filhos ainda crianças correndo comigo dentro de um fusca velho, fazendo panfletagem em porta de fábricas, igrejas e supermercados; correndo todos nós, minha mulher, inclusive, todos tremulando bandeiras vermelhas, saindo no tapa quando o momento exigia, quase desvairados todos nós, discutindo com um e com outro, perdendo amigos, ganhando desafetos, acreditando, acreditando; o carro velho caindo aos pedaços com adesivos até nos pneus, pouca grana pra gasolina mas ainda assim acreditando, nos desesperando, coisa de louco; um ideal, um sonho, um incomensurável desejo por justiça; acreditando naquele metalúrgico nordestino, sofrido, escorraçado, pai de família como eu, ainda que não tivesse sofrido como eu no tempo da gloriosa porque afinal se tratava de Lula da Silva - o metalúrgico respeitado por doutores, poetas e até pelos milicos de mais juízo que sabiam perfeitamente a merda que daria se aloprassem pra cima do líder carismático fadado a ser Presidente um dia. Lutando, lutando para ver Lula no Planalto; uma luta anônima, aparentemente insignificante porém muito mais nobre e mais intensa que a dos que se moviam pela simples ambição do Poder, da fama ou da grana que entorpeceria mentes e encheria cuecas. Luta de um pai de família honesto que um dia, menino, sonhou em comandar um navio da armada nacional, mas ao invés disso seria estupidamente expulso da Marinha por motivação política, para iniciar um calvário que não teria mais fim... Ah, se arrependimento matasse! Não mata, mas deixa marcas terrivelmente profundas. Uma sensação amarga, dolorosa demais e praticamente impossível de ser debelada, uma vez que encasquetada no teu cérebro, te mostrando a toda hora quão estúpido fostes tu em toda tua inútil trajetória de sonhador.
Dói terrivelmente tu sentires o tempo escoar, tua fronte embranquecer, tuas pernas se tornarem flácidas, enqunto tu percebes que toda tua luta foi em vão, que tudo aquilo pelo qual entregaste praticamente os melhores anos de tua vida, era apenas uma farsa e que o grande cafajeste da história fostes tão somente tu, que, em vez de guardares apenas para ti os teus sonhos absurdos, ainda os quiseste dividir com aqueles que te eram mais caros e verdadeiramente te amavam. Tu, sim, que fostes um infame e egoísta, e é bem-feito que pagues agora por tuas idéias estapafúrdias, tuas lutas inglórias, tuas inúteis reflexões.
A dor a que me refiro é impossível de ser externada com simples palavras quando movido se está pela revolta, o desengano, a decepção. Dor que machuca a alma - talvez fosse esse lugar-comum a melhor imagem para descrever meu sentimento nesse exato instante. Para entendê-la, bastaria que os senhores imaginassem um cidadão nessas ciercunstâncias, há dez anos com um processo mofando numa festiva Comissão de Anistia criada para reparar descalabros de uma ditadura, mas que parece ter se fixado primeiro nas figuras midiáticas, de grande projeção nacional e até internacional. Vasculhem a relação de anistiados dessa injusta comissão e os senhores verão jornalistas milionários, ex-ministros, escritores, artistas, políticos que jamais deixaram de mamar nas tetas do Governo ou se pendurarem nos melhores empregos da iniciativa privada; de tudo os senhores verão. Até alguns supostos perseguidos internacionais tentam tirar casquinhas dessas franquias. Enquanto isso, nos subterrâneos desse malfadado ógão, milhares de processos referentes aos bagrinhos estão apodrecendo, sem que essa praga de Governo que irá se acabar em breve tenha o mínimo de respeito por esses massacrados cidadãos. Ah, peste! E o pior de tudo é que eles desrespeitam o cidadão comum de forma desavergonhada mesmo, às escâncaras; são desalmados; atropelam até a Constituição. Negam um pedido de anistia a um perseguido sem projeção midiática, não comunicam à vítima sobre os seus direitos constitucionais de recorrer, o prejudicado busca amparo jurídico, mune-se de provas irrefutáveis, entra com o Recurso e eles simplesmente dão o silêncio como resposta, embora já se tenha passado mais dois anos. Nem no quente da ditadura, deparei figuras tão perversas e srelapsas quanto essas que bailam ao som do besouro azul deste Governo. Lembro que às vésperas de ser expulso da Armada por pura perseguição política, dirigi-me a um Capitão de Corveta tido como linha dura e a ele quase implorei para não ser recolhido ao presídio do Corpo de Fuzileiros Navais, já que temia ser jogado em alto mar na calada da noite. Falei exatamente assim. Que havia deixado no norte uma mãe que muito me amava e uma namorada com quem pretendia constituir família e sentia enorme receio de me tornar apenas isca para tubarão. Falei de tal modo espontâneo, que aquele milico pouco afeito aos sentimentalismos, encarou-me por alguns segundos e disse, sem disfarçar uma certa pena: "não existe isso. Pode ir sem medo". E fui cumprir uma prisão que marcaria profundamente minha vida, não por ter sido jogado ao mar, evidentemente, mas pelo que assisti nos porões da Ilha das Cobras. Como se vê, uma atitude completamente oposta a desses mandarins festivos. Quando a badalada e pouco produtiva "Caravana da Anistia" esteve aqui em Fortaleza, e cai na tolice de ir ao encontro dela, na Assembléia Legislativa,  foi só para incrementar meu desgosto. Nenhum que se dignasse ouvir a minha história. Todos, ali, absolutamente todos em busca de holofotes e nada mais, e eu, ilógico, distribuindo o livro que passei exatos cinco anos a escrevê-lo, imaginando que daquela forma pudesse sensibilizar aqueles desalmados. Ora, e eles já terão lido algum romance na vida que não fosse de Paulo Coelho ou de Carlos Heitor Cony?!
Mas tudo bem. Recorrendo ao magistral personagem de Voltaire que via luz até no mais tenebroso breu, também já vislumbro o lado positivo de todo esse infortúnio de que estou sendo vítima. Todos os meus esforços físicos e intelectuais, doravante, serão direcionados para desmistificasr a grande fasrsa. Toda a minha panfletagem futura, meu discurso, minha escrita, tudo, tudo. Inútil? Veremos. Quando não, servirá para aliviar minha alma. Não sei quantos votos a sra. Dilma perderá por conta do meu discurso, mas certamente já não contará com o meu nem dos que estão mais próximos de mim. Meus textos literários agora, já não se fixarão no surrealismo, mas sim nas coisas inteiramente palpáveis, verdadeiras, inquestionáveis. Minhas missas de domingo já não se farão seguir do papo político-catequético sobre algo em que eu acreditava mas que era tudo mentira, e sim do relato puro, frio. Um trabalho de formiguinha que se estenderá pela Internet, onde todos os blogs, sites e fóruns de maior visibilidade haverão de contar com a minha presença mesmo que eu tenha de me desdobrar em inúmeros  pseudônimos, quando as eleições se aproximarem e a propaganda política for permitida. Quero ter o prazer de ver muitos desses medíocres que hoje se resguardam em mandatos usurpados do povo simples ou que adentraram os gabinetes sem que nada produzissem de útil para a sociedade amargarem o mais absoluto ostracismo, todos de regresso à lama mais nojenta de onde verdadeiramente nunca sairam. Sentir-me-ei gratificado apenas em alertar aos jovens para que não desperdicem os melhores anos de suas vidas dando atenção a esses demagogos miseráveis. Sim, eu posso; nós podemos.
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3.11.09

A Humanidade não Está Perdida

Mutirão Contra a Violência
Por Astolfo Lima
"Violência gera violência". Nunca uma máxima fez mais sentido ou se imbuiu de tanta veracidade quanto essa, conforme estamos a presenciar nos tempos atuais. Não à toa que os senhores da ciência e da antropologia, que geralmente levam décadas  para captarem um fenômeno de graves consequências sociais, somente agora tenham chegado à triste conclusão de que o grande mal do nosso tempo não é o câncer nem a aids, mas sim a depressão, gerada pela violência incontrolável nos grandes centros urbanos e que agora já se estende até por pacatas regiões interioranas. O desdobramento do mal nos seus vários aspectos, inclusive os aparentemente não danosos ao indivíduo e que são absurdamente propagados em formato de notícias ou folhetins pela mídia de larga penetração nos lares da  pátria amada.
Se bato na tecla de que o mundo é violento, que o ser humanmo atingiu o ápice da monstrusidade, que a família se degenerou, que a droga é mal irremediável que irá devastar a juventude serm que o Estado detenha força para contè-lo, e ainda mostro todas essas aberrações através de imagens reais ou fictícias, que outra coisa estaria eu fazendo que não incutir nas mentes levianas a descrença total nos valores éticos e morais e um desejo sórdido de também ser monstro para enfrentar a barbárie? Qual o ganho da sociedade quando redes de TV disputam cadáveres no tapa e até geram cadáveres para serem exibidos em suas programações diárias como se estivessem mostrando ao indefeso público apenas um desenho animado? Como debelar o stress do cidadão que já sai de casa completamente apavorado para ir trabalhar? É o medo da bala perdida do bandido ou da polícia, o temor de ser assaltado no estacionamento ou no próprio local de trabalho; é a desconfiança até com relação às pessoas honestas; o receio de abrir a porta, de ir ao cinema ou tentar qualquer outra forma de lazer, Estamos todos vulneráveis. Amedrontados, descrentes.

29.10.09

Cavaleiros da Esperança ou do Desengano?

O Estardalhaço de Uma Comissão que se Promove no Atacado e Julga no Varejo
Astolfo Lima
Quando o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso criou a Comissão de Anistia, que, supostamente, iria reparar todos os descalabros cometidos pela ditadura, fui dos primeiros a solicitar o benefício, seguindo rigorosamente a orientação do Governo, que dizia ser desnecessário o acompanhamento de advogados, podendo o próprio interessado requerer o que lhe era de direito, e aguardar. Assim fiz, pelo fato de ter sido expulso da Marinha em plena ditadura, por pura perseguição política. Tolo, ou bem intencionado, acreditei que uma declaração por escrito e mais o documento relaivo à  minha exclusão do serviço ativo na Armada fossem suficientes para comprovar a injustiça de que eu fora vítima. Mas qual o que, meus amigos! O Sr. Fernando Henrique concluiu seu primeiro mandato, iniciou o segundo, e o meu processo ficou mofando em algum armário do tal organismo que iria nos redimir de toda a desgraceira sofrida ao tempo da repressão. Entrou o Sr, Lula da Silva, senti-me invadir por enorme contentamento e disse para mim mesmo: "a coisa agora vai". Não foi. Com quase sete anos apodrecendo em alguma prateleira da Comissão de Anistia, meu processo simplesmente foi indeferido, sem que eu recebesse qualquer comunicado. Nem por e-mail. Nada. Fiquei sabendo ao digitar meu nome no Google, quando então eu passaria a experimentar novo tormento, sem saber a quem me dirigir para obter explicações ou munir-me de algum documento que me permitisse recorrer da decisão. Foi então que resolvi enfrentar o monstro burocrático através do telefone, já que, residindo em outro Estado e não tendo amigos influentes no Distrito Federal, não me restava outra alternativa. Entrei em contato com uma funcionária da tal comissão, que me encaminhou a outra e mais outra, até que fui por essa informado de que meu pedido havia sido negado por falta de provas, uma vez que os julgadores não haviam dado como válida a minha informal declaração, do modo, aliás, como me fora  sugeridoo pelo próprio Governo. Ou seja: valera para eles apenas a palavra de uma autoridade do órgão que atuara de forma brutal durante a repressão, em detrimento da vítima, um cidadão comum que sequer teve o direito de ser ouvido em depoimento, num grave desrespeito à Lei Maior do noso país, e lembrando inclusive os atos arbitrários daquele triste período da nossa história. A referida funcionária me informou que eu poderia recorrer, etc, etc. Foi o que fiz. Só que, desta feita, procurando rersguardar-me em todas as exigências da Lei, em tudo que pudesse comprovar, de forma incontestável, a minha condição de perseguido político, expulso injustamente da Marinha de Guerra do Brasil. Saí em busca de antigos companheiros de Armada, e, pela ajuda divina, consegui localizar dois, que logo se prontificaram a prestar depoimento a meu favor, o que foi feito em cartório daqui de Fortaleza, na presença de advogados, tabelião, escriturários e tudo mais que a lei exige para que um documento se torne peça inquestionável em qualquer processo. Pois muito bem: demos entrada com esse recurso em outubro de 2007, e até hoje, NADA! O processo mofa mais uma vez, sabe Deus até quando. Uma tortura psicológica tão ou mais cruel quanto aquela que sofri quando marujo, posto que o tempo, para mim, nesse instante, já não tem (nem poderia) a mesma dimensão de outrora. Já não me moverm os sonhos absurdos. Quero tão somente ser respeitado como cidadão.
Mês passado recebi convite para comparecer à Assembléia Legislativa do meu Estado, pois ali se faria presente a badalada Caravana da Comissão de Anistia, no sentido de julgar todos os processos pendentes no Ceará. Lá chegando, tive logo a primeira decepção ao saber que RECURSOS não seriam contemplados na avaliação dos nobres caravaneiros do Ministério da Justiça. Tudo festa. Desfile de repórteres, colunistas mundanos, filminhos, políticos demagos e hipócritas de diferentes matizes. Todos zanzando como se estivessem realmente produzindo algo de gratificante para o povo, quando queriam apenas aparecer na mídia. Da tal comissão, nenhum que me fornecesse um parecer razoável; todos usando o manjando expediente do "liga para esse número", "fale com fulano", "pergunte ao sicrano". Em suma: um total desrespeito ao ser humano. Para eles, não estava ali um cidadão angustiado, com processo se arrastando há quase dez anos. Para eles, ali estava apenas um mané, um cara do andar de baixo como tantos que os políticos miseráveis recrutam para fazerem enxames em seus discursos demagógicos....
Estou tenso... Tremendamente angustiado. Decepcionado. Triste.
Restam-me, contudo, três alternativas: 1) enviarei carta ao Presidente do Supremo, relatando exatamente tudo, inclusive com a cópia do documento que dei entrada na Comissão de Anistia; 2) recorrerei à Anistia Internacional; 3) estudarei a possibilidade de procurar ajuda até no Tribunal de Haia, munido, também, com pedido de reparação por graves danos morais.
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Obs:
O post abaixo, onde trato do mesmo assunto, também foi publicado neste blog, meses atrás.
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